terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ajudar quem mais precisa sem pedir nada em troca!

Quando estamos dispostos a ajudar alguém porque será que esse alguém nos tem de impor algo? Quando pomos as divergências de lado e ajudamos porque será que no final saímos sempre de cabeça baixa? Como se alguém nos tivesse dado porrada sabem? Tentar ajudar é fazer sem pedir nada em troca, mas parece que hoje em dia ajudar é mais que fazer algo pelo outro, é fazer algo que o outro nos impõe e isso está completamente incorreto!
Vou escrever uma pequena história, onde duas melhores amigas estavam sempre a ajudar uma à outra, até que um dia uma delas excede, ultrapassa a barreira imposta pela melhor amiga e a amizade é posta em causa.

“Tudo começou na tarde em que se conheceram. Depois das aulas a Joana ia fazer voluntariado numa instituição onde se encontravam crianças abandonadas, ia super carregada de sacas, cheias de surpresas para elas quando embateu contra algo ou contra alguém.
 - Ei, vê por onde andas!
 - Desculpa, não te vi, estava distraída a pensar como vou conseguir chegar à instituição se estou completamente cheia de sacos e mal consigo andar.
 - Queres ajuda? É para a instituição A casa do caminho?
 - Sim é, obrigada pela gentileza e peço novamente desculpa. Já agora sou a Joana e tu?
 - Carolina, muito gosto. Não tem mal, eu também devia ter tomado mais atenção.
Assim começaram a conhecer-se e a agir de forma bondosa uma relativamente à outra, na instituição trabalhava a tia de Carolina e esta achou estranha a presença da sobrinha, mas viu que à medida que os dias passavam ela continuava a lá ir e com bastante frequência.
Passaram meses, anos e as meninas continuavam a ir à instituição alegrar de alguma forma as crianças que lá estavam, nada as fazia mais feliz. Havia sempre ajuda para prestar tanto da parte da Joana como da Carolina, tornaram-se grandes amigas e fortaleceram a amizade até ao dia…
 - Carolina podes ajudar-me com os sacos?
 - Sim claro. – Quando ambas chegaram à instituição a Joana percorreu os corredores daquele meio que já conhecia tão bem e foi para a sala das crianças que ajudava enquanto que a carolina foi ter com a tia.
 - Tia estou farta. A Joana só me pede ajuda para fazer isto ou aquilo, não aguento mais. Será que ela não percebe isso?
 - Querida sobrinha, porque não falas com ela em vez de nas costas falares mal e achares que ela só te explora? Falem, vocês são grandes amigas, não podem perder tal grandeza só porque ela te pede um favor ou outro. Ajudar o outros é importante principalmente sem pedir nada em troca.
 - É isso, vou falar com ela, obrigada.
Assim fez, quando chegou perto da melhor amiga puxou-a até ao canto da sala onde ninguém as ouviria e começou:
 - Estou farta Joana, não aguento mais que passes a vida a pedir-me ajuda.
 - Que se passou Carolina? Não te fiz mal nenhum, peço-te ajuda porque desde sempre o fizeste e agora estás a descarregar em mim?
 - Simplesmente estou farta que te tenha de ajudar e tu nunca fazes nada do que quero…
 - Ah? Eu ajudo naquilo que posso tu sabes bem disso.
 - Não sei não, se realmente fosses minha amiga emprestavas-me dinheiro para comprar o telemóvel que tanto quero, ou então ficávamos em casa em vez de virmos para esta espelunca!
 - Não achas que seria de mais eu dar-te dinheiro para comprares um telemóvel? Ou ficar em casa ao invés de vir para este lugar onde me sinto bem? Em ajudar da forma que mais sei? Dando afeto!
 - Só ligas para estas criancinhas, elas não tem pais? Ninguém? Que se cuidem eu faria o mesmo…
 - Achas que farias? Tu é que sabes não estou para isto. Se achas que ajudar passa por realizar os teu caprichos estás muito enganada, ajudar é mais do que fazer o que tu me pedes como o dinheiro, ajudar é dar algo de ti que sabes que podes dar e não algo que não conseguirás dar. Já sei que se te emprestasse o dinheiro nunca mais mo davas e eu não tenho tal quantia sabes bem disso. Ficar em casa num dia tão bonito? A fazer? Jogar computador? Não, prefiro ter uma tarde mais interessante e divertida do que estar em frente a um ecrã sem fazer nenhum!
 - Como queiras. Que grande treta. Vou- me embora!
Viraram costas uma à outra, a Joana continuou a sua tarde e a Carolina foi para casa jogar computador. A última percebeu que queria sair de casa, tentar viver sem a ajuda de ninguém, levou apenas umas roupas e alguma comida para essa noite, mas nos dias seguintes apercebeu-se que realmente era difícil viver daquela forma, sem a ajuda da amiga, dos pais, de quem mais amava. «Ela tinha razão, aquelas crianças assim como eu nunca conseguiriam viver sem que alguém as ajudasse, fui egoísta, só pensei naquilo que queria. Será tarde demais?»
Dirigiu-se até à instituição e procurou a sua melhor amiga, encontrou-a na cozinha sozinha e a chorar.
 - Joana? Estás bem?
 - Não. Perdi a minha melhor amiga porque ela foi egoísta e não me ouviu. Saiu de casa, anda na rua desamparada e não sei que fazer… Mas… - Olhou para cima e viu que a pessoa com quem estava a falar era a melhor amiga. Mais velha, mais triste, com menos vida. Correu para abraçá-la. – Onde andavas? Estávamos muito preocupados contigo.
 - Decidi que queria viver sem a ajuda de ninguém, mas percebi que não era capaz porque sem a família e amigos não sou nada e tenho de viver ajudando e sendo ajudada nas medidas certas.
 - Estou contente que tenhas percebido isso. Agora anda. Vais tomar um bom almoço, um bom banho e ajudar-me com aqueles pestinhas, estão cheias de saudades tuas. – Sorrindo abraçou-a mais uma vez.”

Tentei de alguma forma retratar a sociedade em que estamos inseridos. Que apenas pensam em si e não se importam se os outros sofrem ou não. Preferem abusar da ajuda dos amigos do que ser tolerantes em certos aspetos e não ajudam ninguém, mas que vida não? Ser ajudado em tudo, receber de mão beijada muitas coisas e no fim não contribuir de forma nenhuma para ajudar seja um amigo, irmão ou até mesmo um desconhecido.
Enquanto há pessoas que até dão mais do que podem há outros que não dão nada e podem dar muito. Essas almas caridosas ainda salvam uma sociedade destas. Irresponsável e insensível!